Oi, pessoal, tudo bem? Bom, meu nome é Paula Burguêz e eu sou aluna de Ciência da Computação na UFRGS. Vou contar pra vocês um pouquinho da minha trajetória na computação :)
Minha história começou em 2007, quando eu comecei o Curso Técnico de Informática. Até aquele momento, eu só sabia que seguiria nas exatas, mas ainda não tinha definido o curso. Por isso, considero as aulas de programação o primeiro divisor de águas na minha carreira. No primeiro dia, o professor mostrou um formulário simples com alguns botões e disse que nós aprenderíamos a implementar as funcionalidades deles. Não preciso dizer que achei o máximo, né? Foram necessárias apenas mais algumas aulas, ou melhor, apenas mais alguns desafios de lógica e trechos de código, para que eu já estivesse pesquisando sobre a computação e decidindo o meu curso no vestibular.
Em 2009, eu comecei o curso de Ciência da Computação na UFRGS. Não posso negar que o curso não era exatamente o que eu imaginava, mas garanto que a minha surpresa foi positiva. No começo, estranhei algumas disciplinas, como cálculo, já que não muitas delas não têm uma aplicação prática de imediato. Com o tempo, eu fui percebendo que a computação é uma ciência muito ampla, que vai além do computador como a maioria das pessoas conhece. Acredito que o começo do curso pode assustar um pouco porque essa percepção é gradativa, o que torna o conceito da computação difícil de ser totalmente assimilado no primeiro ano.
Cursar computação é como cursar qualquer outro curso, com dificuldades em algumas disciplinas e facilidade em outras, ou alguns conteúdos mais ou menos atrativos que outros. Acredito que é fundamental que o aluno tenha consciência de que, por menor que seja seu interesse em determinadas cadeiras, as disciplinas obrigatórias são o conhecimento básico que um cientista precisa ter, mesmo que não pretenda seguir carreira na área.
Quanto a imagem do curso, não posso negar que eu tinha a mesma imagem que todo mundo de fora tem. Acredito que esse pré julgamento seja o maior desmotivador para as pessoas, principalmente para as meninas. Mas a computação não é exatamente assim. Como em todos os lugares, existem vários perfis, tanto de mulheres quanto de homens. Durante o curso, tivemos diversos momentos fora da sala de aula, como churrascos, campeonato de futebol, festas, congressos, e por aí vai.
Felizmente, não tive nenhuma experiência constragedora ou desagradável pelo fato de ser mulher, nem na universidade, nem em ambientes de trabalho. É óbvio que eu já ouvi muita piada quanto a isso, mas nada que eu tenha me sentido discriminada. Como tudo na vida, nem sempre as pessoas se dão conta dos limites de uma brincadeira, mas acho que o bom senso e um pouco de paciência funcionam em muitas situações. Quando isso não é o suficiente, acredito que o mais importante é que as meninas lembrem que não estão sozinhas. Conversar com colegas e professoras pode ser uma boa solução para decidir como lidar com certas situações.
Ao longo do curso, são muitas as oportunidades que aparecem na nossa área. Quanto a bolsas e estágios, fui bolsista de monitoria e do Setor de Comunicação do Instituto de Informática, e trabalhei em uma das empresas encubadas no CEI, a Solid Invent. Apesar de terem sido experiências curtas, me fizeram crescer muito, tanto como pessoa quanto como profissional. Quanto a estudar no exterior, em 2012, fui para os Estados Unidos, uma experiência quase indescritível. Sabe tudo aquilo que dizem sobre viver em outra cultura, em um país diferente, longe de casa? Eu não tinha idéia do quanto era verdade, do quanto era possível crescer, aprender e se surpreender com uma experiência dessas. De maio a agosto, durante o verão, estagiei na Vermeer Corporation, outra oportunidade incrível. Posso contar mais sobre isso em outro post, mas quero deixar registrado aqui o meu total apoio a quem pensa em fazer um intercâmbio, seja o tempo e o país que for. Quem tiver essa oportunidade, não deixe escapar, não tenha medo do que é novo, diferente. Garanto que vale muito a pena.
Bom, então essa é minha experiência até o momento. Hoje, estou no penúltimo semestre do curso, com formatura prevista para o final do ano. São várias as oportunidades na nossa área, por isso eu ainda não decidi exatamente o que será o próximo passo. Qualquer dúvida, dicas ou maiores detalhes que precisarem, entrem em contato comigo ou deixem comentários no post. Será um prazer ajudar! Fica aqui também o meu apoio a todos que quiserem investir na computação, a melhor profissão do mundo! :)